domingo, 9 de junio de 2019

Políticas simples para sociedades complexas


A história dos últimos 30 anos tem demonstrado que as políticas públicas implementadas não tem sido suficientes para resolver o problema de acesso às tecnologias em nossas sociedades. Provavelmente, porque o problema não seja apenas garantir o acesso a elas, mas implementá-las a partir da compreensão duma série de condições sociais, econômicas, educacionais, históricas e geográficas que dificultam um desenvolvimento homogêneo em nossos países; condições tão complexas que não atingem só a esfera tecnológica, senão que abrangem os mais diversos campos de desenvolvimento.

Constantemente, escutamos a políticos de distintos partidos falar nos seus discursos sobre a importância de levar as tecnologias aos mais jovens ou de modernizar nossos países através de políticas de digitalização. No caso de Costa Rica, temos, por exemplo, a experiência de “Gobierno Digital” ou da implementação da fatura eletrônica que, segundo a experiência da maioria dos usuários, em vez de simplificar as tarefas cotidianas, as complicaram, gerando entre os usuários um sentimento de atraso e exclusão. Essas experiências deixam ver que o sucesso não está no desenvolvimento de softwares ou na criação de espaços digitais; o sucesso está numa educação que facilite a interação com essas tecnologias.

Da mesma maneira que Julieth Castro afirma no seu texto, não podemos simplificar nossas populações, reduzindo elas em categorias absolutas, pois existem fatores adicionais que acondiçoam as habilidades que elas conseguem desenvolver. Na Costa Rica, por exemplo, já trabalhei com estudantes de zonas rurais, menores de vinte anos, que têm enormes dificuldades para realizar tarefas simples no computador ou para manipular um smartphone.

Nossa realidade é complexa, e uma realidade complexa requer soluções complexas (no sentido mais amplo do termo). Para falar apenas do caso de Costa Rica, nossa população estudantil está conformada, entre outros segmentos, por migrantes, muitos deles vivendo em condições de extrema pobreza; por indígenas, muitos deles criados em reservas sem eletricidade; por crianças trabalhadoras, muitas delas sem oportunidade de dedicar o tempo mínimo necessário aos estudos. Essa pluralidade exige políticas diferenciadas, capacitações específicas, infraestruturas particulares. 

Nossa sociedade não é binaria como a linguagem das computadoras. Em nossos países ainda temos muitos pontos fracos e vulneráveis, enquanto não reconheçamos sua existência para a criação de soluções integrais, não poderemos avançar na consecução de nossos objetivos.  Um computador sozinho não mudara o mundo; uma educação bem planejada, sim.

2 comentarios:

  1. Exato, para sociedade complexas, precisamos de propostas de ação complexas e também análises complexas. Precisamos pensar a partir da diversidade, seja para a formação da juventude que está nas escolas, seja para a formação daqueles que estão em outras etapas da vida, e que necessitam continuar aprendendo, interagindo com as inovações, para poder viver plenamente.

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  2. Parabéns pela sua redação em português. Eu gostei porque da leitura de um colega que nos precedeu no GEC, você resume o que falamos nas aulas.

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