A história
dos últimos 30 anos tem demonstrado que as políticas públicas implementadas não
tem sido suficientes para resolver o problema de acesso às tecnologias em
nossas sociedades. Provavelmente, porque o problema não seja apenas garantir o
acesso a elas, mas implementá-las a partir da compreensão duma série de
condições sociais, econômicas, educacionais, históricas e geográficas que
dificultam um desenvolvimento homogêneo em nossos países; condições tão
complexas que não atingem só a esfera tecnológica, senão que abrangem os mais
diversos campos de desenvolvimento.
Constantemente,
escutamos a políticos de distintos partidos falar nos seus discursos sobre a importância
de levar as tecnologias aos mais jovens ou de modernizar nossos países através
de políticas de digitalização. No caso de Costa Rica, temos, por exemplo, a
experiência de “Gobierno Digital” ou da implementação da fatura eletrônica que,
segundo a experiência da maioria dos usuários, em vez de simplificar as tarefas
cotidianas, as complicaram, gerando entre os usuários um sentimento de atraso e
exclusão. Essas experiências deixam ver que o sucesso não está no
desenvolvimento de softwares ou na criação de espaços digitais; o sucesso está
numa educação que facilite a interação com essas tecnologias.
Da mesma
maneira que Julieth Castro afirma no seu texto, não podemos simplificar nossas populações,
reduzindo elas em categorias absolutas, pois existem fatores adicionais que acondiçoam
as habilidades que elas conseguem desenvolver. Na Costa Rica, por exemplo, já trabalhei
com estudantes de zonas rurais, menores de vinte anos, que têm enormes
dificuldades para realizar tarefas simples no computador ou para manipular um
smartphone.Nossa realidade é complexa, e uma realidade complexa requer soluções complexas (no sentido mais amplo do termo). Para falar apenas do caso de Costa Rica, nossa população estudantil está conformada, entre outros segmentos, por migrantes, muitos deles vivendo em condições de extrema pobreza; por indígenas, muitos deles criados em reservas sem eletricidade; por crianças trabalhadoras, muitas delas sem oportunidade de dedicar o tempo mínimo necessário aos estudos. Essa pluralidade exige políticas diferenciadas, capacitações específicas, infraestruturas particulares.
Nossa sociedade não é binaria como a linguagem das computadoras. Em nossos
países ainda temos muitos pontos fracos e vulneráveis, enquanto não
reconheçamos sua existência para a criação de soluções integrais, não poderemos
avançar na consecução de nossos objetivos. Um computador sozinho não mudara o
mundo; uma educação bem planejada, sim.
Exato, para sociedade complexas, precisamos de propostas de ação complexas e também análises complexas. Precisamos pensar a partir da diversidade, seja para a formação da juventude que está nas escolas, seja para a formação daqueles que estão em outras etapas da vida, e que necessitam continuar aprendendo, interagindo com as inovações, para poder viver plenamente.
ResponderEliminarParabéns pela sua redação em português. Eu gostei porque da leitura de um colega que nos precedeu no GEC, você resume o que falamos nas aulas.
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